11/11/2025

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As águas na solução

Urge dissolver o enorme curtailment no sistema elétrico brasileiro (SEB), ou seja – a sobra de geração de energia elétrica provocada pela sua expansão desordenada, não planejada, porém incentivada pelas políticas públicas há anos. O caos aumenta e se aprofunda pela falta de carga (consumo), pela ociosidade e escassez de transmissão segundo horários e regiões distintas, pela inércia dos poderes republicanos.

O excesso de capacidade se desenha firme, previsível e duradouro. Pode ser diluído por vários caminhos, a saber.

1) Reforçar o consumo é uma opção que pode se dar pela exportação de sobras para Argentina, Uruguai e outros países limítrofes. Ajuda a escoar as sobras pontuais mas contém imprevisibilidades. Porém é inconstante.

2) Atrair datas centers é interessante, mas demora e um monstruoso desafio se apresenta vigoroso, agora, em 2026.

3) Produzir e exportar Hidrogênio verde (por eletrólise) começa a esmaecer no mundo inteiro, seja pelas políticas adversas adotadas a partir dos Estados Unidos, seja pelos reflexos em preços, custos e comandos legais nos mais diversos países. Projetos tidos como certos têm sido adiados e há renúncias,

4) Armazenar a energia excedente, aumentar a disponibilidade das linhas de transmissão, é o caminho mais apetitoso no Brasil, nos dias que correm, pois os colapsos de sobre ofertas tendem a ser cobrados dos consumidores, preservando a saúde dos negócios dos agentes da cadeia elétrica.

5) Um erro ingênuo consiste em supor uma solução fácil obtida pela compra e inclusão de enormes baterias que guardariam a energia sobrante nas horas abundantes de vento e de sol, para escoá-la no anoitecer ou nas ausências de Eolo. O Operador Nacional do Sistema não conseguiria reger as baterias com a agilidade (custos, receitas e competitividade) compatível com os horários e as regiões impactadas. Elas poderiam equivocadamente até deslocar o curtailment do meio para o fim das tardes.

(nota dos autores: o preço das baterias tende a decair no futuro e elas prestam outros serviços ao SEB que não trataremos aqui).

O esforço da armazenagem pode ser desenvolvido guardando água nos reservatórios hidrelétricos poupando sua geração nas horas de sobras.

Em um prazo mais longo pode-se transformar hidrelétricas em usinas reversíveis, que bombeiam (quando a energia está barata, por exemplo na madrugada ou no sol a pino) a água de volta para seus reservatórios durante as horas possíveis para geração favorável. Aí há que criar reservatórios de água à jusante das barragens, aprovar os impactos sobre a bacia hidrográfica, e naturalmente enfrentar a condicionante dos preços, custos e receitas pelo trabalho, sendo esses rateados de acordo com suas garantias físicas.

Devido à gravidade e ao montante bilionário de Reais nas perdas atuais e futuras dos geradores com o curtailment, a solução da retenção pura simples e imediata via hidrelétricas oferece ampla flexibilidade ao Operador Nacional do Sistema de guardar racionalmente água de modo ótimo.

As usinas que queimam gás, participantes da orquestração, também precisariam de mais flexibilidade técnica e regulatória para armazenar o fluido nos momentos de necessidade, sob a regência do Operador Nacional do Sistema.

 

Pedro Paulo de Rezende Porto Filho e Paulo Ludmer

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