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A governança energética no Brasil é indisciplinada, sem noção da urgência e importância, sem bússola. Pelo menos não tem sido capaz de estabelecer ordem no tablado. Ilustra isso a nossa perda de tempo, de senso de oportunidade, tanto do Poder Executivo quanto do Legislativo.
No mundo inteiro, o Brasil é visto como forte candidato a líder global ou driver force na produção e exportação de Hidrogênio verde, aquele obtido por eletrólise a partir de fontes renováveis (água, sol e vento). Ele tende a ser a espinha dorsal da descarbonização em setores como a indústria pesada, fertilizantes e transporte marítimo, nas palavras de Maurício Tolmasquim, conselheiro recém indicado por Lula na Eletrobrás, ex-diretor da Petrobrás e ex-comandante da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Porém, é o próprio conselheiro – com o qual concordamos nesta assertiva – que descreve o recuo do Hidrogênio verde devido ao custo alto, demanda fraca e “lições para o Brasil”, maneira polida e politizada para evitar afirmar que há aqui uma ausência ou total desrespeito a qualquer planejamento impositivo do Estado (mormente por parte do Congresso Nacional que maltrata assiduamente o setor de energia com impropriedades).
A Agência Reuters vem relatando o adiamento ou renúncias a projetos nesta seara em diversas partes do mundo. O Hidrogênio verde custa de três a quatro vezes o cinza (produzido com gás natural e emissões).
Maurício Tolmasquim lista: a BP cancelou projeto na Austrália, a Fortescue recuou em dois projetos nos Estados Unidos, além de projetos europeus. A União Europeia atrasou suas metas. E ele destaca: o principal entrave é a demanda. Vale dizer, mesmo incentivado, o consumidor precisa aceitar pagar mais ou o projeto não decola, mesmo com menos pegada de carbono.
Falta regulação e infraestrutura, mecanismos de precificação e contratos de longo prazo (para segurança dos empreendedores). Não basta tecnologia promissora sem modelos de negócios viáveis. Não basta movimentação aparente sem articulação efetiva. O próprio Tolmasquim aventa um caminho pela substituição do Hidrogênio cinza pelo verde, capturando o mercado existente.
Pedro Paulo Porto Filho e Paulo Ludmer