11/12/2025

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(Des)Governanças

O ex-presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, dá o mote do momento: não confundir política setorial com política nacional de energia. Em recente artigo no Valor Econômico (18/11/25), defende que a estatal atue onde o setor privado deixa um vazio, onde não alcança as fronteiras tecnológicas, minerais críticos, integração da energia-indústria-inovação… “Seu papel é induzir avanços estruturantes e não disputar protagonismo em mercados maduros”.

Ideias de boa cepa não faltam. O diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), professor emérito da COPPE/UFRJ, advoga um papel mais relevante para o oceano que já absorveu 90% do excesso do calor e 30% do CO2 (gás carbônico) da atmosfera. Ele indica a energia eólica e a solar flutuantes nos mares, sem ignorar a força das ondas, a salinidade (eletroquímica), o gradiente térmico entre as diversas profundidades e assim por diante.

Soluções híbridas devem proliferar. Nos lagos das pequenas hidrelétricas encontraremos placas de energia solar flutuantes. Nos interstícios das fazendas, entre as torres eólicas que ocupam 3% das glebas, nos depararemos com conversores e placas solares. Nas usinas de açúcar e álcool teremos térmicas de vinhaça e biogás.

As eólicas off shore ainda alterarão a matriz elétrica brasileira pelo que vimos presencialmente na Dinamarca, entre Kopenhagen e Malmo, na Suécia, entre a costa oeste do país e a sua Groenlândia. Observe que aqui as eólicas no mar estão inibidas, enquanto que o Brasil carente busca potência (MW) pois, paradoxalmente, a energia (MWh) acusa sobras localizadas.

Vide que este tipo de problema no exterior não foi solucionado, quando ampliado irresponsavelmente. Ilustra o drama da falta de planejamento com fontes renováveis a China, que lutou contra o seu curtailment até achatá-lo a 3% da geração. O país do Meio, como se auto intitula, investiu pesadamente em transmissão, em planejamento e em geração flexível.

Por sua vez, a diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Banco Itaú, Luciana Nicola, traz os biocombustíveis no protagonismo do País, sem avançar sobre novas terras e por meio da parceria público-privada como catalizadora desse potencial. Há que reduzir as emissões dos transportes (ainda 91% dependente da queima de fósseis no mundo).

Trezentos MW da queima de lixo são desperdiçados no País incapaz de aproveitar a ação em benefício de todos. A presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), Renata Isfer, se empenha para mais do que envolver, e sim comprometer as vontades políticas brasileira nessa direção.

Poderíamos, de fonte em fonte de energia, listar o inesgotável estoque de possibilidades de que o Brasil dispõe e está habilitado a transformar no universo da energia. Aqui mesmo ervas daninhas promovem renúncias e adiamentos de investimentos. Elas convivem com a falta de potência no horário de ponta de carga (entre 18 e 21 horas de cada dia, quando as usinas solares cessam suas gerações).

Em consequência, a modelagem institucional e a liturgia fazem os consumidores pagarem pela geração não realizada e pelas sobras, sendo aqui socializadas as faltas e os erros de planejamento decorrentes das insuficiências de comandos legais. No Poder Judiciário a consequência é a saturação dos contenciosos no teclado da energia.

 

Pedro Paulo Porto Filho e Paulo Ludmer

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