X
Area de atuação Destaques noticias e artigos
Está pautando a real evolução do setor elétrico brasileiro, no olhar de Ângela Gomes, diretora da renomada consultoria PSR do Rio de Janeiro, mais competição, novos papéis para os agentes setoriais, nova regulamentação, novos serviços e tarifas inteligentes.
A matriz elétrica brasileira é hoje 89% renovável: 190 mil km de linhas de transmissão (mais 8 mil km esperados até 2026); há robusta distribuição que cobre 99,6% dos usuários num mercado em transformação, pois 42% da carga já está no mercado livre. Os preços finais da energia no Brasil estão cada vez mais caros, apesar dos subsídios de R$ 48 bilhões, em 2024, que custaram cerca de 13,8% a mais aos consumidores.
Convém lembrar que, em maio deste 2025, veio a MP 1300 que bole com a justiça tarifária, oferece mais liberdade a consumidores e com o equilíbrio econômico dos agentes do setor.
Ângela Gomes observa que os prazos para detalhamentos regulatórios são exíguos (e a ANEEL está apertada de recursos e condições), sendo necessárias diretrizes urgentes para contratos de distribuidores, medições e monitoramento.
Ela insere o que o cliente quer: flexibilidade, confiabilidade, tarifas sob alfaiataria, simplicidade e energia competitiva.
Vale dizer, a digitalização é essencial para os passos almejados. Porém, a medição inteligente ainda é tímida no Brasil (5% do total). Carece o setor de uma revisão na forma de planejar, de operar, de medir e cobrar, de mais resiliência operacional e qualidade.
Por sua vez, o assessor de planejamento do Operador Nacional do Sistema, Marcelo Prais, reconhece a maior dificuldade de gerir o sistema diante da exponencial participação na oferta de energias intermitentes (solar e eólica). Isso requer rapidez em novos avanços tecnológicos.
De 268 GW de potência instalada no País, 64 GW ou 24% são intermitentes, o operador contará com uma demanda máxima no fim da tarde e menos recursos centralizados ao meio-dia (com sol, a geração distribuída se acentua). Terá de orquestrar momentos centralizados, distribuídos e o empoderamento do consumidor.
Em suma, terá pela frente a transição energética com descarbonização, mudanças climáticas, descentralização, digitalização e democratização (comunicação ampla com o usuário).
Prais, com propriedade, pergunta como vencer o desafio, como transformar a conjuntura em vetor de solução. Para isso se adotou por aqui o Sandbox.
Pedro Paulo Porto Filho e Paulo Ludmer
Nota dos autores sobre Sandbox regulatório – Fonte: Google:
– O sandbox regulatório no setor elétrico brasileiro é um ambiente controlado, supervisionado pela ANEEL, onde empresas e instituições podem testar novos produtos, serviços ou modelos de negócio relacionados à energia elétrica. O objetivo é promover a inovação e modernizar o setor, permitindo que as empresas experimentem soluções inovadoras sem a necessidade de seguir rigorosamente as regras regulatórias existentes, mas dentro de limites e critérios estabelecidos.