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A geração distribuída (GD) de energia elétrica levou dez anos para resplandecer no País; as baterias a preços competitivos só virão em cinco anos para atenuar a necessária armazenagem. Sob incentivos e transferências de renda dos extratos de menor renda para os capacitados a investir em energias intermitentes, solar e eólica, a geração distribuída prosperou, trazendo sobras na oferta e falta de potência nos picos de carga (curtailment); em outros momentos e locais, provocou falta de carga ou de transmissão regionalizadas.
Estão direcionados para o futuro: tecnologias avançadas, reforma setorial, redes inteligentes, tarifas aderentes, regulação, confiabilidade, comunicação, além de essencialidades para novos modelos, tais como digitalização, transição energética e mudanças climáticas.
Tudo isso comporá a transformação dos negócios pós renovação das concessões, mormente das distribuidoras de energia elétrica, que se mantém em discussões preventivas há meses.
Mas o processo ocorre em um quadro mais complexo: em meio à descarbonização da economia e dos comportamentos sociais, à transição energética que transcorre com mais abandono de fontes fósseis de energia, e às mudanças climáticas, que exigem planos de resiliência para o devir.
Há questões de toda ordem (micro e macro). O que e como se controlará o setor elétrico brasileiro? Se todas as noites milhares de baterias estarão sendo descarregadas e carregadas, então como isso será metrificado, despachado, precificado? Na área de concessão da Celesc de Santa Catarina, presidida por Tarcísio Rosa, postos de carregamento de baterias de carros elétricos, já não distam mais de 50 km uns dos outros. No País, o setor vem encontrando dificuldade em contratar mão de obra qualificada, mas investe em resiliência da rede e adiciona subestações para lidar com o fluxo reverso da energia (domicílios injetam sobras nas redes).
As distribuidoras se encontram diante da renovação de concessões com contratos mais exigentes. Espera-se o fim da tarifa monômia – o pequeno consumidor será cobrado por demanda instalada e kWh efetivamente absorvido em baixa tensão; diante do amplo uso de smart grid, estará viabilizada a eleição de quem será seu fornecedor, concretizando a liberação do mercado em baixa tensão. Em consequência, o setor carecerá de maior segurança jurídico-regulatória e de melhor qualidade no fornecimento.
Isso implica comprar milhões de medidores, modelos de comunicação com os usuários e stakeholders, aumento da confiabilidade, capilarização, novos conceitos de instalação. Portanto, haverá leitura remota de medidores (sob revisões anuais), faturamentos automáticos, cortes e ligamentos remotos, monitoramento minucioso por alarmes, eficiência da OPEX (gastos operacionais) e redução de perdas técnicas ou comerciais.
Sem essas providências, teme-se o colapso do operador nacional do sistema, que estará desnorteado com a crescente geração descentralizada. Mas tudo depende de nova e potente regulação para a qual o Congresso Nacional está insensível, ao largo e aparentemente despreparado.
Pedro Paulo Porto Filho e Paulo Ludmer